Carnaval em Salvador
Às vésperas do carnaval, Salvador vira sinônimo de festa. Foliões por toda parte. Música, alegria, diversão para todos os gostos e todos os bolsos. O curioso é que, nesse momento do ano, a “identidade” baiana tão falada pelos turistas se desconfigura. Salvador deixa de ser aquela pacata cidade da Bahia para tornar-se Salvador, a capital do axé e do carnaval. Em lugar da terra tranqüila, marcada pela chamada “malemolência”, configura-se, agora, uma cidade de ritmo acelerado, onde os corpos se misturam entre as multidões, e se embalam com as danças animadas, músicas diferenciadas, pulos e gritos ao redor do trio.
Agora, para o observador, o que antes era vício vira virtude. Esses mesmos turistas, aqueles que tanto falaram mal e nos chamaram de preguiçosos, vêm passar o carnaval conosco. Eles são muitíssimo bem-vindos. Corroboram e desempenham papel fundamental no setor terciário de nossa economia como protagonistas da “indústria sem chaminé”. Por trás de toda essa festa, existem inúmeros empregos gerados, trabalhadores que acordam cedo para pegar no batente. São cordeiros, barraqueiros, vendedores com isopor, catadores de latinha, etc. Aliás, não é só em festa que têm trabalho. A cidade não pára. O ritmo constante, frenético, característico desse período, constrói, sim, um estado de alegria e brincadeira, mas ele não é permanente. Aqui, existem pessoas que trabalham muito, seja de maneira formal ou informal, dando duro para sobreviver.
Tiara Rubim
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