Seiscentos cafés

Pianola Costureira

Março 22, 2008 · Deixe um Comentário

Vi, de longe, aquele pianinho, com um banquinho minúsculo. Aquilo realmente me chamou a atenção. – “Será um piano para crianças?” – pensei. Afinal, desejo dar um instrumento musical para minha filha. Ela tem três anos e meio e o presente deve ser proporcional ao seu tamanho. Aquele pianinho me lembrou exatamente isso.

Resolvi me aproximar e ver de perto os seus detalhes. Tinha em sua parte superior algumas caixinhas e gavetinhas. Então, olhei o nome daquela peça: Pianola Costureira. Sua descrição: Tocar piano e saber bordar – qualidades essenciais para uma moça daquela época.

Interessante! Aquela peça estilo barroco representava a situação feminina da época imperial. Afinal de contas, as moças daquele tempo tinham que seguir alguns padrões para conseguir “um bom partido”. Tinham que ser uma moça prendada. Saber bordar era essencial, mostravam, assim, que seriam uma boa dona-de-casa.  E saber tocar piano dava um toque especial, um charme, um luxo.

Sabe, não penso em dar um piano para minha filha. Não me interessa muito se ela vai aprender a bordar ou não. Ah! Também nem passa por minha cabeça, ainda, qual será um bom partido para ela. Mas a sua personalidade pode ser bordada, trabalhada, entre linhas que vão e vêm através da vida. Que ela use a educação e se aprimore assim como um músico se prepara para um concerto, que ela se prepare para a vida. Que ela siga os padrões da dignidade e honestidade pelo mundo afora. Acho que, assim, ela será uma boa moça sem a Pianola Costureira. E o instrumento? Sinceramente, ainda não sei o que dar.

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Texto produzido por Daniel Cambuí após visita ao Museu de Arte da Bahia, programação cultural da disciplina OLE II – FJA 2008.

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