Seiscentos cafés

Aconteça

Março 29, 2008 · 1 Comentário

Por: Glauciene Machado

 

Um, dois… um, dois, três e…

 

Está acontecendo. Aconteceu, acontecerá.

Muda, mudou… mudará.

E se eu pudesse olhar além da minha janela…

Posso. Podia… poderei eu olhar?

 

Aqui perto, do outro lado do mundo,

Bem longe, dentro da minha cabeça: vazio profundo.

Pensamentos que voam com os pés no chão.

Doce fenômeno contradição.

É quando percebo que: “Enquanto isso…”

 

Do lado de lá, de cá e em qualquer lugar.

Para cima, para baixo e para ambos os lados…

… até os sem lados.

Será que vai passar? Vai passar? Passou.

Corre como um trem, não se demorou.

Gira, girou e com certeza vai girar.

E não dá mais pra ficar parada nesse lugar.

 

Mas parei. Parei para pensar no que acontece quando nada acontece. Parei para ver o acontecimento não acontecer. Parei para ouvir o desacontecimento. Senti que o que acontece não aconteceu, pelos menos não aqui, não pra mim. Mas eu sei que enquanto isso… está acontecendo, aconteceu, acontecerá… um, dois, três e vá.

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Crônica da estátua ensacada

Março 29, 2008 · Deixe um comentário

Por: Daniela Bispo

 

Salvador, cidade quimérica que possui maravilhas e desencantos. De costumes excêntricos, onde também os seus mortos são cultuados através de nomes de ruas, escolas, estátuas e outras coisas mais.  Tais venerações, às vezes, são direcionadas a falecidos não tão nobres.

Todavia, deixando isto de lado, a noite caiu na capital baiana e, junto com ela, as suas peripécias. Desta vez, para surpresa dos baianos, um monumento da cidade foi ocultado por um saco preto. Por se tratar de uma figura conhecida, ainda que a homenagem nos tenha sido imposta pelos seus familiares, rapidamente a notícia se espalhou e o burburinho tomou conta de todos.

Entre tantas hipóteses levantadas, o que de mais certo se tinha era o gigantesco poder do ser humano de imaginar, “viajar” diante do desconhecido. A situação tendia à comédia, em virtude das inúmeras “verdades” que surgiam.

Era comum ouvir: ele foi ensacado em forma de protesto, acabou a hegemonia da tradicional família do morto na Bahia; alguns até foram além, e relacionaram o episódio à queda da estátua do ditador Saddam Hussein. Era a redenção baiana.

Soube-se, no dia seguinte, que deveras a estátua tinha sido encoberta para fins de limpeza e pequenas restaurações, pois o defunto estaria aniversariando e a data não poderia passar despercebida. Era, na verdade, um dia de princesa para a obra, que antes mesmo do meio-dia já dava o ar de sua graça novamente.

E assim, muitas teorias caíram por terra… O intrigante, nesta história, foi que, no meio de todo rebuliço, ouvia-se dizer que “Ele” estava coberto com um saco preto, aquele que costumamos utilizar na coleta de lixo, e por isso ligeiramente se fez associação com a inutilidade, com aquilo que não prestava mais. Então, me questiono se o bendito saco fosse branco ou de qualquer outra cor, teria causado tanto espanto? Tamanha balbúrdia? Será???

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