Por: Daniela Bispo
Salvador, cidade quimérica que possui maravilhas e desencantos. De costumes excêntricos, onde também os seus mortos são cultuados através de nomes de ruas, escolas, estátuas e outras coisas mais. Tais venerações, às vezes, são direcionadas a falecidos não tão nobres.
Todavia, deixando isto de lado, a noite caiu na capital baiana e, junto com ela, as suas peripécias. Desta vez, para surpresa dos baianos, um monumento da cidade foi ocultado por um saco preto. Por se tratar de uma figura conhecida, ainda que a homenagem nos tenha sido imposta pelos seus familiares, rapidamente a notícia se espalhou e o burburinho tomou conta de todos.
Entre tantas hipóteses levantadas, o que de mais certo se tinha era o gigantesco poder do ser humano de imaginar, “viajar” diante do desconhecido. A situação tendia à comédia, em virtude das inúmeras “verdades” que surgiam.
Era comum ouvir: ele foi ensacado em forma de protesto, acabou a hegemonia da tradicional família do morto na Bahia; alguns até foram além, e relacionaram o episódio à queda da estátua do ditador Saddam Hussein. Era a redenção baiana.
Soube-se, no dia seguinte, que deveras a estátua tinha sido encoberta para fins de limpeza e pequenas restaurações, pois o defunto estaria aniversariando e a data não poderia passar despercebida. Era, na verdade, um dia de princesa para a obra, que antes mesmo do meio-dia já dava o ar de sua graça novamente.
E assim, muitas teorias caíram por terra… O intrigante, nesta história, foi que, no meio de todo rebuliço, ouvia-se dizer que “Ele” estava coberto com um saco preto, aquele que costumamos utilizar na coleta de lixo, e por isso ligeiramente se fez associação com a inutilidade, com aquilo que não prestava mais. Então, me questiono se o bendito saco fosse branco ou de qualquer outra cor, teria causado tanto espanto? Tamanha balbúrdia? Será???
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